quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Vamos nos respeitar!


   Que o homem é um ser naturalmente religioso, disso não tenho dúvidas. Essa necessidade de ligar-se a qualquer coisa maior vem muito antes do seu Jesus Cristo vir ao mundo, e até respeito. Na verdade, eu respeito todo tipo de manifestação religiosa, mas a única coisa que eu peço em troca, é reciprocidade. Eu respeito suas músicas aclamando seu senhor, desde que eu não tenha que ouvi-las. Respeito seus cabelos gigantes e sua bíblia em baixo do braço, desde que não me venha falar dela. E se quiser falar, você vai ter que ouvir também. Porque crente (e aqui não me refiro somente aos Evangélicos, mas sim a qualquer um que acredite no que sua religião ensina, seja ela qual for, porque é isso que a palavra significa) tem bem mania de acreditar que a sua religião está certa (o que é obvio, caso contrário, o que ele estaria fazendo lá?) e tentar levar todos para lá, mas raramente são capazes de ouvir novas ideias, com a mente realmente aberta. Até entendo que não façam por mal, que aquilo faz bem para eles, e por isso eles querem que todos sintam aquilo que eles sentiram quando “Deus os tocou com suas mãos” e blá-blá-blá, mas, por favor, façam ao menos uma mínima força para entender – ou se esforcem ao máximo, se for o caso - que as outras religiões não existem por acaso, e existem pessoas sendo “tocadas” em todas elas, caso contrário já estariam extintas, e o mesmo ocorre com os sem religião. Nós, ateus e agnósticos deste mundão a fora, fomos tocados pela racionalidade e pensamento lógico, nós acreditamos que as pessoas, e somente as pessoas, podem fazer algo por elas próprias, e umas pelas outras. Nós procuramos soluções sensatas para os nossos problemas, ao invés de rezar. Absolutamente nada contra as orações, também entendo que esse é o modo que você encontrou para ligar-se consigo mesmo - ou com Deus, Alá, Kami ou seja lá como você preferir chamar - para se acalmar e finalmente poder buscar a solução.

   Escrevendo essas linhas, tive vontade de falar sobre como você, crente, me julga por desacreditar na sua criatura superior, mas esquece-se que você também eliminou a hipótese de existência de todas as outras criaturas já inventadas e muito acreditadas um dia, e ainda hoje. Ou sobre como a maioria dos crentes pratica a caridade e paga fervorosamente o dizimo apenas pelo céu que se abrirá quando seu “corpitcho” for para baixo da terra, ou sobre os que pensam que redes sociais são um ótimo lugar para divulgar sua fé. Poderia ter falado também sobre como vocês precisam, a qualquer modo, explicar tudo que (ainda) não existe explicação científica, com argumentos sobrenaturais, ao invés de investigar ou entender que as respostas viram ao seu tempo. E é melhor que eu nem fale sobre como as religiões, apesar de terem todo esse lado necessário e de certa forma positivo para a maioria das pessoas, também foram as principais responsáveis pelas maiores guerras e barbáries da história da humanidade. O fato é que eu poderia ter falado sobre muita coisa, já que assuntos dentro desse tema é o que não faltam, mas hoje não vou falar de nada disso. Hoje meu objetivo é apenas pedir por respeito mútuo. Respeito entre religiões diferentes, e entre religiosos e não religiosos. Nunca vou tentar te convencer que Deus não existe, então por favor, não tente me levar para a sua Igreja. Obrigada. Amém.

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